quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Quem são os pobres em espírito?

por Santo Agostinho

Acerca do desejo dos bens temporais lê-se na Escritura: tudo é vaidade e presunção de espírito (Ecle 1, 14). Pois bem, a presunção de espírito envolve audácia e soberba; e dos soberbos se diz, vulgarmente, que são espíritos fortes; e com razão, uma vez que o espírito é também chamado vento. Por isso está escrito: o fogo, o granizo, a neve, a geada, o vento tempestuoso (Sl 148, 8).

E quem ignora que aos soberbos se chama inflados, como se estivessem inchados de vento? Donde também o dizer do Apóstolo: A ciência incha, mas a caridade edifica (ICor 8, 1). Com razão se entendem aqui por pobres em espírito os humildes e tementes a Deus, ou seja, os que não têm espírito inchado.

Nem podia ter melhor começo a bem-aventurança, dado que há de chegar à suprema sabedoria: O princípio da sabedoria é o temor do Senhor (Eclo 1, 16), assim como pelo
contrário, o princípio de todo pecado é a soberba (Eclo 10, 15). Amem e desejem os soberbos os reinos da terra; mas sejam bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.

retirado da obra “Sobre o sermão da montanha”

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